Cultura que vende feedback como presente, mas entrega ataque emocional mal embalado, sem contexto, sem preparo e sem responsabilidade. O feedback vira obra civil: exige capacete, isolamento de área, termo de ciência e acompanhamento psicológico do café. Disseram que feedback era presente. Mas mandaram todo mundo colocar capacete. Tinha colete. Tinha óculos de proteção. Tinha fita zebrada na sala. Tinha um formulário chamado “ciência de impacto emocional”. O gestor sorriu e disse: “Vou falar para…
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Empresa compra IA para ganhar produtividade, mas descobre que o problema não era falta de tecnologia. Era ausência de processo, decisão, dados organizados e maturidade operacional. A IA não trava por incapacidade técnica, trava por excesso de humanidade mal documentada. Compraram uma IA. Prometeram escala. Produtividade. Automação. Eficiência. Transformação digital. A IA abriu o sistema, olhou os arquivos, leu os nomes das planilhas e fez uma pergunta simples: “Qual é o processo?” A sala ficou e…
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Atenção, candidatos! A próxima etapa é bem simples... Só precisamos entender sua alma. Com uma bexiga, uma cartolina... E uma pergunta sem noção! Cheguei todo arrumado, currículo na mão Falaram: “fica tranquilo”... já senti preocupação! Tinha cadeira em círculo, caneta colorida Um teste com desenho, e uma moça muito sorrida Ela olhou no meu olho, com ternura e armadilha E perguntou bem calma: “Qual fruta é sua família?” Eu respirei fundo, tentei não surtar Pensei em pagar boleto, pensei em não c…
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O processo estava documentado. Tão documentado, tão completo, tão robusto, que ninguém mais conseguiu usar. Virou PDF. Depois anexo. Depois “segue o fluxo”. Depois “está tudo explicado no material”. O trabalho continuou confuso, mas agora com documentação oficial do caos. O processo saiu da operação e foi morar no e mail.
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Pediram senso de dono. Mas a chave ficou com a diretoria. A senha ficou com o gestor. O orçamento ficou “em análise”. A decisão ficou para o comitê. E o acesso foi negado por política interna. Mesmo assim, reforçaram: “precisamos de mais protagonismo.” O colaborador tentou agir como dono, mas descobriu que era dono só da cobrança. Autonomia sem chave não é autonomia. É aluguel emocional com meta de proprietário.
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A cultura estava linda na parede. Tinha respeito. Tinha transparência. Tinha colaboração. Tinha “pessoas em primeiro lugar”. Na prática, ninguém podia discordar, ninguém sabia quem decidia, todo mundo sorria na foto e chorava no banheiro do terceiro andar. O quadro estava alinhado. A equipe, nem tanto. Cultura que só aparece na parede não é cultura. É decoração com crachá.
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A campanha era “só hoje”. Ontem também foi. Semana passada também. No mês passado, inclusive, teve versão premium. O “só hoje” fez aniversário, apagou as velas, pediu estabilidade e já está confirmado para amanhã. A equipe chamou de urgência. O calendário chamou de rotina. O cliente chamou de “de novo isso?” Escassez recorrente identificada. Validade: até a próxima última chance.
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A reunião começou sem responsável. Depois de 40 minutos, o sistema promoveu automaticamente o objeto mais coerente da sala. Agora a pauta continua girando, ninguém decide nada, mas pelo menos a liderança tem uma função clara. A ata registrou avanço simbólico. O calendário já marcou continuação. E a decisão, como sempre, ficou para depois. Registro encerrado: maturidade decisória indisponível.
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A pesquisa era anônima. Só precisava preencher: nome completo, área, cargo, gestor direto, CPF emocional, nível de sinceridade pretendida, e uma breve justificativa para qualquer resposta abaixo de “estou muito feliz”. A empresa reforça que todos podem falar livremente. Desde que saibam quem falou. A ideia era boa. Os humanos homologaram errado.
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