Quando a mãe Virou Notificação Pendente
no dia a dia ela respondeu:
“Perfeito, alinhado.”
“Pode deixar.”
“Subo ainda hoje.”
“Segue em anexo.”
“Vamos marcar.”
“Super faz sentido.”
“Te retorno em breve.”
“Só me dá cinco minutos.”
Mas a mãe mandou:
“Bom dia, filha.”
E a mensagem ficou lá.
Sozinha.
Entre um cupom de farmácia, uma promoção de mercado, três grupos silenciados e um áudio que ficou para ouvir depois.
O pai perguntou se estava tudo bem.
A mensagem foi vista.
A resposta foi pensada.
Mas veio uma demanda.
Depois outra.
Depois uma reunião.
Depois um boleto.
Depois uma pausa que nem parecia mais cansaço.
Parecia só o jeito normal de existir.
E o dia acabou.
A semana acabou.
O mês passou.
Enquanto isso, o SLA emocional da firma continuou impecável.
Cliente respondido.
Chefe respondido.
Fornecedor respondido.
Grupo respondido.
Cobrança respondida.
Até mensagem automática de banco recebeu atenção.
Mas a vida ficou no visualizado.
A Zonarquia não está dizendo isso para culpar ninguém, tb já passamos por isso!
Culpa já vem de brinde no pacote profissional.
Está dizendo porque tem coisa que não avisa quando está indo embora.
Pai envelhece.
Mãe envelhece.
Amigo cansa de chamar.
Filho cresce.
Domingo vira segunda.
E a vida particular vai sendo tratada como aba aberta para depois.
Só que nem toda aba restaura.
Às vezes, o “depois eu respondo” vira um lugar longe demais.
Então talvez hoje o grande ato de rebeldia não seja largar tudo.
Talvez seja só mandar:
“Oi, mãe. Tô corrido, mas lembrei de você.”
Ou:
“E aí, pai. Como você tá?”
A firma pode esperar cinco minutos.
A planilha não vai sentir saudade de ninguém.
Mas alguém talvez esteja sentindo.
Pense nisso!
O que os humanos estão tentando dizer 🤤
comentários públicos moderadosAinda não há comentários aprovados. A firma está estranhamente silenciosa.