O Funcionário Estrela-Cadente
Toda equipe tem um Funcionário Estrela-Cadente.
Ele aparece.
Brilha.
Todo mundo olha.
Alguém até faz um pedido:
“tomara que dessa vez entregue”.
Na reunião, ele é um espetáculo.
Fala com segurança.
Usa palavras grandes.
Diz “protagonismo”.
Diz “visão sistêmica”.
Diz “senso de dono”.
Diz “temos que sair da caixinha” enquanto empurra a caixa para outra pessoa carregar.
Durante 11 minutos, parece que a empresa encontrou o próximo líder da transformação.
Depois acaba a reunião.
E ele desaparece.
Some da execução.
Some do prazo.
Some do grupo.
Some da planilha.
Some do combinado.
Some até do “só confirmando se você viu”.
Mas volta no fechamento.
Com uma frase pronta:
“senti falta de reconhecimento”.
A equipe inteira respira fundo.
A pessoa que fez o trabalho dele também.
A cadeira range.
A impressora trava por solidariedade.
O Funcionário Estrela-Cadente não é o trabalhador cansado.
Não é quem está sobrecarregado.
Não é quem pediu ajuda.
Não é quem está perdido e precisa de orientação.
Não é quem está tentando e não consegue.
Esse a Zonarquia não bate.
O Funcionário Estrela-Cadente é outra espécie.
É quem transforma presença em performance.
Performance em discurso.
Discurso em reputação.
E reputação em cobrança emocional para cima de quem realmente entregou.
Ele não quer colaborar.
Quer ser percebido colaborando.
Não quer resolver.
Quer ser lembrado como alguém que “levantou pontos importantes”.
Não quer carregar a caixa.
Quer sair na foto apontando para ela.
E no fim, quando alguém pergunta pelo resultado, ele responde:
“acho que faltou alinhamento”.
Faltou mesmo.
Entre a fala e a entrega havia um buraco do tamanho de uma apresentação de 42 slides.
A Zonarquia reconhece o talento.
Apenas solicita que, na próxima aparição celestial, o meteoro também entregue o combinado.
Reconhecimento sem entrega é só aplauso parcelado no cartão dos outros.
O que os humanos estão tentando dizer 🤤
comentários públicos moderadosAinda não há comentários aprovados. A firma está estranhamente silenciosa.