☕ Lúci do Café

TESTAMENTO DO AMARELO-CROMO

TESTAMENTO DO AMARELO-CROMO

TESTAMENTO DO AMARELO-CROMO

Eu, Amarelo de Cromo, ainda lúcido em alguns pontos da tela e irreconhecível em outros, declaro minhas últimas vontades.

Ao chumbo, deixo meu corpo.

Ao cromo, deixo meu nome.

À luz, deixo a autoria daquilo que estou me tornando.

Ela provavelmente negará.

Ao marrom-esverdeado, deixo meu futuro, embora ele já tenha começado a ocupá-lo antes da minha morte.

Aos museus, deixo a obrigação de conservar um acontecimento que não pretende parar.

Aos visitantes, deixo o direito de admirar uma cor que Vincent viu e eles talvez nunca tenham visto.

Aos restauradores, deixo uma tarefa impossível:

proteger-me justamente daquilo que fui criado para representar.

Ao Sol, não deixo nada.

Ele já recebeu demais.

Quanto à pequena esfera encontrada fora da tela, declaro que não pertence a este inventário.

Saiu antes que os bens fossem lacrados.

Não sabemos para onde foi.

Também não sabemos por que continua amarela.

Este documento deverá permanecer em uma sala pouco iluminada.

Cada vez que alguém acender a luz, uma de suas cláusulas perderá a validade.

O que os humanos estão tentando dizer 🤤

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