O CIPRESTE APRENDEU A QUEIMAR IMÓVEL
O CIPRESTE APRENDEU A QUEIMAR IMÓVEL
Primeiro acharam que era uma árvore em chamas.
Chamaram os bombeiros.
A temperatura estava normal.
Não havia fumaça.
Não havia cinzas.
A madeira não estava sendo consumida.
Mesmo assim, o fogo continuava lá.
Perfeitamente imóvel.
As raízes permaneciam verdes.
Os galhos atravessavam as labaredas sem sofrer qualquer dano.
Uma pequena ramificação azul crescia tranquilamente no centro da combustão.
Atrás da árvore, a sombra ainda conservava a forma de um cipreste comum.
Era como se a sombra se lembrasse daquilo que a planta havia sido antes de aprender o incêndio.
Os botânicos disseram que era fogo.
Os bombeiros disseram que era árvore.
Os instrumentos disseram que nenhuma das duas coisas estava acontecendo.
O arquivo recebeu uma nova classificação:
COMBUSTÃO VEGETATIVA PERMANENTE.
Uma chama que cresce.
Cria raízes.
Produz galhos.
Alimenta-se de luz e devolve silêncio.
Van Gogh não pintou um cipreste pegando fogo.
Registrou o momento em que uma árvore descobriu que poderia assumir a forma de sua própria destruição sem precisar morrer.
Não era uma árvore em chamas.
Era o fogo aprendendo fotossíntese.
O que os humanos estão tentando dizer 🤤
comentários públicos moderadosAinda não há comentários aprovados. A firma está estranhamente silenciosa.