Ninguém procura emprego por hobby
Existe uma fantasia corporativa curiosa: a empresa pode declarar amor ao lucro, mas o candidato precisa fingir que salário é apenas um detalhe administrativo.
Na entrevista, esperam paixão, propósito, brilho nos olhos e vontade de “fazer a diferença”. Do outro lado da mesa, porém, há aluguel, mercado, transporte, filhos, boletos e uma instituição financeira pouco sensibilizada por frases inspiradoras.
Querer dinheiro não elimina competência, caráter ou propósito. Apenas confirma que o candidato compreendeu corretamente o funcionamento do capitalismo.
Ninguém está dizendo que salário é tudo.
Mas tratar remuneração como assunto quase indecente é uma forma elegante de pedir trabalho enquanto se evita falar sobre quanto ele vale.
A empresa pode amar lucro.
O candidato pode amar salário.
Boleto não aceita propósito como forma de pagamento.
O que os humanos estão tentando dizer 🤤
comentários públicos moderadosAinda não há comentários aprovados. A firma está estranhamente silenciosa.