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AS CADEIRAS TERMINARAM OS HOMENS

AS CADEIRAS TERMINARAM OS HOMENS

AS CADEIRAS TERMINARAM OS HOMENS

A casa estava vazia havia três noites.

Ele não volta, disse a cadeira amarela.

O meu também não, respondeu a poltrona vermelha.

Entre elas permaneciam um cachimbo, dois livros, uma vela apagada e vários pincéis endurecidos.

Era pouco material.

Mas era tudo o que os homens haviam deixado.

A cadeira amarela começou pelo esqueleto.

Usou madeira nas pernas, arame nas costelas e pincéis no lugar dos dedos.

Fez um homem estreito demais para ocupar o mundo sem esbarrar nas bordas.

A poltrona vermelha preferiu começar pela cabeça.

Enrolou pensamentos em torno de um círculo de metal, acrescentou livros no tórax e instalou duas mãos que já nasceram discordando uma da outra.

Trabalharam durante toda a madrugada.

Quando amanheceu, havia dois homens incompletos em pé sobre os assentos.
A poltrona achou o outro torto.
A cadeira amarela achou o outro convencido.
Talvez tivessem trocado as peças durante a noite.
Talvez os homens já viessem assim

As duas observaram as criaturas.

Nenhuma respirava.

Mesmo assim, pareciam prestes a discutir.

A maçaneta girou.

Os homens entraram, olharam para os corpos construídos e não reconheceram a si mesmos.

Depois se sentaram.

Pela primeira vez, as cadeiras sentiram que estavam vazias.

O que os humanos estão tentando dizer 🤤

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